Tom e Nelson: dois mestres num filme imperdível

28/01/2012

O documentário do Nelson Pereira dos Santos, em cartaz no cine Espaço Beiramar, é maravilhoso. Do início ao fim o filme é uma delícia. Na abertura, lindas imagens do Rio de Janeiro do final dos anos 50 ao som de “Ela é carioca” é de arrasar. No final, “A linguagem musical basta”, mostra na frase de Tom a concepção da criação do cineasta, pois – segundo o próprio Nelson - o universo musical de Tom não cabe em palavras. Nelson opta pela simplicidade, escolhe a música para falar do notável maestro e compositor. Aparentemente óbvio, mas não é. O simples é construído com muita pesquisa, talento e autoridade. Ouvimos as músicas de Tom por Sammy Davis Jr. A Frank Sinatra; por Elizeth Cardozo a Gal Costa; por Ella Fitzgerald a Diana Krall, passando pela brincadeira genial de Tom e Elis mostrada por inteiro em “Águas de Março” e por outros e outras intérpretes igualmente geniais. O filme permite que o espectador se entregue inteiramente à sonoridade de Tom.  Nelson não permite interferências, interrupções que desviem a atenção da música, por isso os créditos dos grandes intérpretes de Tom Jobim são desnecessários no meio do filme, eles estão nos créditos finais. No documentário, além das imagens das próprias interpretações, apenas cenas da época da música, fotografias, capas de long-plays e cartazes de shows contextualizam o tempo.  Nelson e Tom são dois apaixonados pela vida e pela cidade maravilhosa. “A música segundo Tom Jobim” prova que a simplicidade na arte é dom dos grandes mestres. Não deixem de assistir essa obra prima. Eu vou, novamente!

Nelson Pereira dos Santos fez dois documentários sobre Tom Jobim e sua obra. O primeiro, filmado em parte na Ilha de SC, contou com profissionais locais (como o diretor de produção César Cavalcanti), deve ter o "avant-premiére" nacional em junho na abertura FAM/2012 (na UFSC), coordenado por Celso dos Santos.  A revelação foi feita pelo próprio Nelson para este signatário, na época do lançamento, em dezembro/2011, de “A Antropóloga”, no Rio de Janeiro. O segundo documentário do mestre do cinema sobre o mestre da música "A música segundo Tom Jobim", já pode e deve ser admirado na Ilha.

Prosiei com Nelson, no final do ano passado, num almoço oferecido pelo cineasta Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, quando lancei o A “A Antropóloga” na cidade maravilhosa.  Conversamos sobre muito sobre cinema: Nelson lembrou de seus primeiros filmes, da assistência de direção do Bigode, falamos sobre nossos projetos, ele me recomendou alguns filmes e da dificuldade em terminar o filme sobre Tom (o primeiro) filmado em parte aqui na Ilha.

Texto de Zeca Nunes Pires
Fotos de Kátia Halla. 

Claquete

A Barca do CinemaAs irmãs Piacentini (Tanira, Tânia e Telma), que há anos vêm realizando um excelente trabalho na Barca dos Livros, no centrinho da Lagoa da Conceição, estão mudando de endereço. Já em fevereiro a Barca estará funcionando no prédio do LIC concebido por Oscar Niemeyer. O arquitetocertamente há de abençoá-las, para que elas consigam colocar na embarcação o Gilberto Gerlach com o Cine Clube Nossa Senhora do Desterro. Os associados do LIC e toda a comunidade agradecem!!!!!

Paradigma.  O Paradigma Cine Arte está funcionando também no CIC com uma boa programação em cinema digital. Assisti “O Último dançarino de Mao”. Um filme com uma transformação no roteiro surpreendentemente arrasadora. Excelente!

Mais Queijo. Depois de percorrer inúmeros festivais, vencer vários prêmios – inclusive o de Melhor Curta no 13º. Festival do Rio –  “Qual queijo você quer?”, de Cíntia Dommit Bittar, é um sério concorrente ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2012, na categoria de curta-metragem. Nos longas, “A Antropóloga” é o representante catarinense. A promoção é da Academia Brasileira de Cinema.

Lado C. Lançado o primeiro número da revista sobre cinema e audiovisual “Lado C”. Com bons artigos e entrevistas sobre documentário, ficção, curtas e cinema regional a Revista vem preencher este vazio no audiovisual catarinense. Artigos, resenhas, críticas, entrevistas e reportagens são bem-vindas. O conselho editorial é formado por Antonio Carlos Santos (professor da UFSC), Cláudia Cárdenas (roteirista e diretora), Fausto Douglas Correa Junior (pesquisador), Marina Moros (ensaísta e videomaker), Pedro MC (documentarista) e Ricardo Weschenfelder (cineasta). O apoio é do FUNCINE.

Ponte Hercílio Luz e a Lei Rouanet. Dias atrás completou 30 anos que a Ponte Hercílio Luz está fechada. Foram gastos até o início de 2012 aproximadamente R$ 100 milhões nas obras de recuperação, segundo dados publicados na imprensa. Nosso símbolo maior, nossa carteira de identidade (como bem define o escritor Sérgio da Costa Ramos no documentário que realizei em 1996, “Ponte Hercílio Luz, patrimônio da humanidade”) permanece fechada e ainda são necessários, segundo cálculos do governo, mais R$ 170 milhões para a recuperação completa da obra. O Governo inscreveu um projeto para captar R$ 70 milhões, através da Lei Rouanet. É louvável e extremamente necessário a recuperação da Ponte. Mas,sendo  a obra clássica da engenharia internacional, tombada como patrimônio histórico e artístico da União, e a verba captada através da Lei Rounet é imposto de renda que seria pago ao Governo Federal, porque o a União não transfere esse montante diretamente ao Governo do Estado (com as regras rigorosas da prestação de contas de todos os projetos), sem a necessidade de captação?????  Pois, a captação pelo Governo Estadual, além de todo o transtorno, proporcionará uma competição super injusta com a classe de artistas e produtores catarinenses, representando menos 70 milhões no mercado, os quais serão destinados prioritariamente ao Governo do Estado, que tem fortes argumentos para captação. 

Zeca-pires
Zeca Nunes Pires, é cinéfilo e cineasta. Com graduação em Jornalismo (UFSC) e em Administração (ESAG/UDESC), Mestrado em História (UFSC), Zeca tem vários curtas e documentários premiados e dois longas-metragens: Procuradas (2004) , co-dirigido por José Frazão e A Antropóloga (2010). É um dos criadores da Cinema Catarinense, FUNCINE, Curso de Cinema da UNISUL e atualmente é diretor do Departamento Artístico Cultural da UFSC.

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