1. Mineirim no leito de morte, decidiu ter uma conversa definitiva com a
patroa:
“Muié, pode falá sem medo…. já vô morrê mess e prifiro sabê tudim direitim…
Ocê arguma veiz traiu eu?”
“Ô Zé, num fala dessas coisa que eu tenho vergonha….”
“Pode falá muié….”
“Quero não…”
“Fala muié, disimbucha..”
.
“Mió dexá pra lá, Zé.”
“Vai, conta…”
“Queto Zé, morre em paz…”
Depois de muita insistência ela resolveu abrir o jogo:
“Tá bão Zé, vou contá, mais numi responsabilizo…”
“Pode contá.”
“Ói Zé, traí sim, mas foi só trêis veiz.”
“Intão conta, sô! Trêis veiz nessa vida toda até qui num foi muito!”
“A primera foi quando cê foi demitido daqueli imprego qui ce brigou cum
chefe.”
“Ué, mas eu fui adimitido dinovo logo dispôis sô…”
“Pois é Zé…eu fui lá cunversá cum ele, acabei dano pra ele e ele ti contratô
di vorta.”
“Ah muié, cê foi muito boa cumigo, essa traição num dá nem pra leva a mar.
foi pela necessidade da nossa famía…tá perdoada. E a segunda?”
“Lembra quando cê foi preso pru modi daquele furdunço que cê prontô na
venda?”
“Lembro muié, mas num fiquei nem meio dia na cadeia.”
“Pois é Zé…eu fui lá cunversá cum delegado e acabei dano pra ele ti
sortá.”
“Ê muié, isso nem conta tumbém não, a carsa foi justa… imagina ficá preso
lá um tempão. Ocê nem me traiu, foi pela nossa famía e pela minha
liberdade, uai. E a úrtima?”
“Lembra quando ocê si candidatô pra vereadô?”
“Lembro muié…quase me elegeru.”
“Pois é… eu qui consegui aqueles 1.752 voto…”
2. O recado do Pyr Marcondes chegou pela próxima: anunciantes
com verbas robustas de publicidade botaram a boca no
trombone durante debate sobre Transparência ocorrido no
Festival of Media na Montroeux. na Suíça.
“Num debate de rara abertura e franqueza para os padrões aos quais estamos
habituados aí no Brasil”, escreveu Pyr, “ouvimos aqui no Festival of Media a
clara posição dos anunciantes a respeito do que, para eles, são ganhos de
rentabilidade excessivos por parte das agências. Ganhos que precisariam ser
revistos. Mais que isso, pesquisa da WFA – World Federation of
Advertisers, que congrega associações nacionais de anunciantes de
todo o mundo, aponta para um desconforto e até suspeita de que as
agências estejam ganhando demais com o dinheiro dos anunciantes.
E que esses números precisam de maior transparência”. Tipo, “assim não dá!”.
3. Taí um assunto cuja discussão em público tem sido proibida no Brasil.
Por desconfiar que isso ia acontecer, ficamos tantos anos sem ter um Congresso
Brasileiro de Publicidade. A chamada Indústria da Comunicação não
Permitia.
4. Agora estamos no limiar do V Congresso. E talvez a questão venha à tona. E
Daí?
Daí é bom que estejamos preparados para que não sejamos surpreendidos
Como o caipira que estava morrendo.
