Roubar, enganar, mentir, isso tudo faz parte a história humana.
Ler isso choca?
Grandes bandidos viraram heróis em uma canetada, como os piratas, que por decreto real eram transformados em corsários, ou seja, continuavam piratas, mas agora atacando só os navios dos outros.
Até o Natal é fruto de uma “miguelada”, pois na falta de uma data certa para o nascimento de Jesus, o papa mandou ver no dia em que havia uma festa popular, o Invictus Solis, comemorando o solstício de inverno, bem no dia 25 de dezembro. Então pronto, Jesus Cristo é Capricórnio e fim de papo.
O falecido Steve Jobs admitia ter surrupiado a ideia do computador com interface gráfica da Xerox e não tava nem aí.
E o bem vivo Mark Zuckerberg, criador do Facebook, vai ter que conviver para sempre com a suspeita de ter copiado o nome, o conceito e o código-fonte de seus colegas de faculdade.
O mestre Pablo Picasso dizia: “Bons artistas copiam, grandes artistas roubam”.
Antes que pareça que eu estou defendendo a pilantragem, esses são apenas exemplos quase poéticos do quão baixo o ser humano pode chegar para conseguir o que quer.
Então, eu não me choco.
O editor do Acontecendo Aqui, o incopiável Jailson de Sá, vem pilotando uma polêmica envolvendo supostos plágios na comunicação mercadológica. Alguns, contra a postura do portal, que assim estaria expondo agências a julgamentos precipitados, pois nem sempre o controle de qualidade dessas agências conseguiria identificar as eventuais derrapadas de seus profissionais, ou mesmo, as possíveis coincidências. Outros, a favor da exposição, desde que fundamentada, documentada e bastante evidente, na procura da preservação da ética na atividade de comunicação de marketing.
De uma coisa eu tenho certeza. Esse mundo da propaganda nunca foi povoado só de vestais, não.
Grandes traições, puxadas de tapete, grana por fora, embromation técnico, picaretagem pura e simples, para quem está há tempo no negócio, sabe que isso vem fazendo parte do cardápio, e se a gente não aprendesse a lidar com isso, não sobrevivia.
Ao mesmo tempo, já vi muita generosidade, gente de caráter, conduta e respeito. Inteligência e competência com vergonha na cara. Que era o que dava vontade de continuar publicitário.
A propaganda é feita por humanos e o que é humano não me choca.
O que não quer dizer que me conforme.
Um cara muito sábio me ensinou o seguinte: se eu quisesse me dar bem na vida, deveria ter os pés no chão, a cabeça nas nuvens e bunda na parede, senão, crau…
Se no mundo dos negócios parece que todo mundo andou lendo Weber, e isso fazia parte do jogo, a gente gostasse ou não, por outro lado é absolutamente necessário defender algo do que a nossa atividade deveria ter de mais puro, a criação.
O plágio exposto protege nossas marcas, empresas e profissionais, não o contrário.
O Acontecendo Aqui, como plataforma de discussão comunicação em Santa Catarina, está sendo mais do que conveniente ao adotar essa postura. Não só na criação.
O planeta caminha na direção de relações mais éticas, sustentáveis, solidárias, coletivas.
O plágio de ideias sempre foi vil.
Só que ficou pior.
Agora também é velho.

