Corre por aqui uma “piada pronta”, mas como o Acontecendo Aqui é muito acessado por leitores de outros estados e no exterior, vale a pena dissertar sobre o assunto, que mistura violência, ação (ou inação) da polícia e comunicação.
O fato é que bandidos já explodiram quase 60 caixas eletrônicos em Santa Catarina, o que caracteriza marca expressiva, sem que se tenha notado uma reação compatível por parte das autoridades da segurança pública. Semana passada, a polícia catarinense fez um apelo aos bancos para que esvaziassem os equipamentos durante a madrugada, quando ocorre a maioria dos casos.
Pronto – aí está a piada.
Será que quem fez a sugestão pensou antes de falar? Será que imaginou a grandiosa operação logística com carros forte esvaziando todos os caixas simultaneamente? A que horas isso seria feito? Às seis horas, ou às 22, ou à meia noite? Ou não seriam os carros fortes, seriam os funcionários do banco que esvaziariam os caixas, transferindo o dinheiro para os cofres, numa operação que exige contagem e recontagem das notas? Mas aí teria que ser no fim do expediente, com muitas horas extras, cujo custo iria para os correntistas. E se algum funcionário se recusasse, com medo de tomar uma granada na cara, seria demitido por justa causa? E o que fazer nos caixas em supermercados, aeroportos, shopping centers, lojas de conveniência e outros locais de grande público?
O humor, como instrumento de comunicação, é dos mais ácidos recursos de crítica. Como no caso do individuo que chega em casa e flagra a esposa transando com o vizinho no sofá da sala. Impávido, ele não titubeia e resolve o problema vendendo o sofá.
No caso dos caixas eletrônicos, a polícia fez uma liquidação de sofás e, pior, anunciou. A mensagem que fica pode ser entendida assim: “bandidagem, ajam como quiserem, que nós aqui damos um jeito de nos adaptar”.
A história do sofá se aplica porque, se fosse possível executar a operação sugerida, como sempre os prejudicados seriam os usuários, que estariam limitados para operar nos caixas. Os bandidos sem nenhuma dúvida mudariam de estratégia, transferindo o horário das explosões, quem sabe até durante o expediente; ou os alvos, passando a visar os carros fortes.
Como resolver essa epidemia de explosões? Não sei, nem sou pago para isso, mas ouço muito falar em ações conjuntas das polícias, uso da Inteligência (com I maiúsculo para identificar uma atividade programada), informações, coisa e tal. O resultado esperado seria esse?
Explosões de caixas eletrônicos é coisa muito séria, mas convenhamos que comunicação também é. Parece que está faltando acionar um estrategista e alguém que entenda de comunicação.
Ou então vamos logo nos livrar dos sofás e retirar todos os caixas eletrônicos do mercado.
