Como se perde um cliente

27/01/2012

Elóy Simões
eloy.simoes@uol.com.br

1.O vôo seguia tranquilo. Os passageiros, cada um na dele, transitavam entre uma soneca, um papo legal e o banheiro.  
Aí, aconteceu.

Uma sacudidela, um susto e o piloto resolveu tranquilizá-los:

“Não há motivo para pânico. Um dos motores parou de funcionar, mas ainda restam outros três. Relaxem e tenham todos uma  boa viagem.”

Só que pouco depois, outro motor parou. E mais adiante, o outro. Os passageiros entram em pânico, mas o piloto, aparentemente tranquilo, procura acalmá-los:

“Calma, gente. Nós vamos dar um jeito nisso.”

E seguida a cabine se abriu. Dela saem o piloto e o vice, devidamente apetrechados com pára-quedas. Antes de saltarem, ele dá um último aviso:

“Não se preocupem. Vamos ali buscar uma ajuda. Daqui a pouco estaremos de volta.(contado por Son Salvador, no jornal aQui)
 
2.Déborah, minha mulher e eu, estávamos em Patos de Minhas, cidade localizada no Triângulo Mineiro. Fomos até lá para comprar algum material para a casinha que estamos construindo em S. Gotardo, a pouco mais de 100 quilômetros dali.

Na saída da cidade vimos uma loja da Portobello.

Não tenho uma boa impressão dessa loja, desde que, em Florianópolis fomos visitá-la com o mesmo fim – comprar material para a nossa casinha. Chegamos, perguntamos à pessoa que nos atendeu se o material adquirido ali serias entregue em S. Gotardo:

“Não, deve ter uma loja por lá.”

Disse isso, virou as costas e nos deixou falando sozinhos.

Mas voltemos ao episódio de Patos de Minas.

3.Vimos a loja, e apesar do episódio de Florianópolis resolvemos entrar.  

“A marca é ótima,disse Déborah, quem sabe a gente encontra alguma coisa diferente ali.”

Encontramos. Muitas.

Fizemos um levantamento, compramos um dos itens relacionados, explicamos à moça que nos atendeu que compraríamos as outras da nossa lista em momento posterior.

Aí, começou a enrolação.

Primeiro ela quis nos convencer a comprar tudo naquele momento.

“Eu consigo um baita desconto na fábrica pra vocês.”

Depois, quis fazer com que colocássemos no nosso carro o que havíamos comprado. Recusamos.

Daí, disse que teríamos de pagar um frete.

Topamos, apesar de os produtos que compramos nas outras compras que acabáramos de realizar na cidade não terem esse custo.

Aí, ela deu o preço: quase tão alto quanto o que pagaríamos pelos produtos comprados ali.

Fizemos como o piloto: botamos nossos páraquedas e saltamos de banda. Para nunca mais aparecer ali.

Eloy-simoes
Elóy Simões é publicitário, professor, jornalista e consultor. Trabalhou em grandes agências de São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis. eloy.simoes@uol.com.br

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