Volume de anúncios na internet tem forte alta no Brasil

21 de Junho de 2019

Publicidade na rede tem alterado a lógica do chamado “bolo publicitário” no país; mídia impressa foi quem mais perdeu receita

 

Desde a popularização da internet, os canais de conteúdo buscam diferentes maneiras de capitalizar seus respectivos negócios. Dos banners aos conteúdos patrocinados, passando pelos pop-ups, o desafio de ganhar dinheiro na rede mundial de computadores segue vivo. Porém, se outrora os publicitários não tinham tanta confiança assim no retorno de mídia vindo da web, hoje esse cenário parece estar finalmente transformado. Números consolidados apontam que a internet foi o meio que mais cresceu nos investimentos com publicidade em 2018.

O investimento em mídia digital avançou de R$ 2,43 bilhões em 2017 para R$ 2,92 bilhões em 2018, um crescimento de 20%. A internet foi um dos dois únicos meios que tiveram alta e ainda abocanhou a segunda maior parcela do total investido em anúncios no país. Os números são do Cenp (Conselho Executivo das Normas-Padrão), que reúne as 78 maiores agências do país, mas não todo o mercado. Portanto, os dados são parciais e refletem mais os investimentos em mídia tradicional. É um bom termômetro, mas a realidade do investimento em internet é provavelmente ainda maior.

Fora dos números do relatório estão os investimentos de pequenos e médios anunciantes, principalmente regionais, em plataformas digitais como Google e Facebook. Além disso, ficam de fora da conta agências internas, de mídias sociais, conteúdo, relações públicas, influenciadores, empresas de e-commerce e consultorias, além dos números de empresas que não podem ser divulgados.

Para completar, o famoso relatório anual “Internet Trends” foi lançado recentemente e mostrou muitos outros dados interessantes sobre o uso da web. Os números do estudo apontam que em 2019, mais da metade da humanidade está conectada na internet e que hoje passamos mais tempo no Youtube e Instagram do que vendo TV. Outros atrativos, como Facebook, Twitter, Netflix, games e os jogos de cassino online têm ampliado a presença do público na internet. Portanto, nada mais natural do que os recursos publicitários estarem sendo direcionados para conteúdos digitais.

Publicidade na web cresceu, mas o “bolo”, nem tanto

O fenômeno que ocorre no meio publicitário está mais relacionado ao redirecionamento de recursos do que a um aumento massivo de investimento. O crescimento do chamado “bolo publicitário” total foi de somente 0,57% em relação a 2018. Ou seja, os números ficaram abaixo da inflação, que marcou 3,75% no mesmo período, segundo dados do IPCA/IBGE. A publicidade digital foi uma das únicas que cresceram entre 2017 e 2018. A outra foi em mídia exterior (OOH), que subiu 9,7%. Os demais, como TV aberta, TV por assinatura, revistas e jornais, caíram. Esses são sinais péssimos para as mídias tradicionais.

Cresce a tendência de extinção da mídia impressa

Não é de hoje que rumores sobre a possível extinção do jornal impresso circulam entre os adeptos do papel e os profissionais da comunicação. Antes da internet se popularizar no Brasil, o meio impresso era um forte concorrente para a TV e o rádio. A qualidade e a competência do que era informado no impresso superava o que era entregue pela TV. Leitores tradicionais mantêm o convívio com o jornal impresso até hoje. Mesmo já inseridos no contexto digital, eles ainda prezam pelas letras estampadas, pela visita à banca, pelo folhear as páginas, pelas informações que se misturam ao cheiro do café da manhã. Saudosismo que tem suas raízes nas tradições de uma geração acostumada a apalpar a notícia, com atenção e sem correria.

Hoje a internet é a ferramenta mais usada como fonte de informação. Além da agilidade com que as notícias circulam na web, sua atualização é instantânea, sem custo adicional, e possui alcance mundial. A notícia online também permite a convergência de diferentes mídias na divulgação dos fatos: texto, áudio, vídeo e imagem se unem para dar vida a um episódio. Quanto maior a variedade de recursos explorados na produção da notícia, mais chances ela terá de atrair o público.

Acrescente-se a este arsenal a interatividade. Com ela, o leitor deixou de ser agente passivo da notícia para participar ativamente da sua criação. Na impossibilidade de estar simultaneamente em todos os lugares onde fatos noticiáveis acontecem, o jornalista encontrou no leitor-ouvinte-telespectador-internauta um forte aliado.

Os jornais e revistas impressos têm buscado constantemente estratégias para sobreviver: textos mais próximos do discurso corriqueiro; clareza e objetividade nas redações; diagramação moderna; uso de imagens e infográficos. Tudo para combinar a identidade estabelecida pela tradição do papel às urgências do tempo presente.

Não se pode ter certeza de que o jornal impresso desaparecerá ou não. Embora alguns estudos prevejam o contrário, a história das mídias mostra que nenhuma suplantou a outra. Pelo contrário, todas encontraram sua parcela assídua de público. As mídias se reinventam e assimilam novos métodos para manterem-se ativas, credíveis e influentes; aprendem uma com a outra, combinam-se e tiram proveito do melhor que cada uma tem a oferecer.