Expansão dos coworkings desacelera no Brasil segundo Censo Coworking Brasil 2018

14 de Agosto de 2018

Especialista garante que o setor continua a ser promissor

A pesquisa Censo Coworking Brasil 2018 revela que o número de espaços de trabalho compartilhados aumentou no último ano de 810 para 1.194 em todo o país. Embora o aumento de 43% registrado em relação a 2017 seja menos expressivo do que o crescimento indicado nos estudos dos anos anteriores, o setor continua a avançar e gerar oportunidades.

Segundo Bruna Lofego, CEO  da CWK Coworking e criadora do curso 'Como montar um Coworking de sucesso', a  atual situação econômica do país tem contribuído para o menor crescimento de unidades, porém, isso já era esperado e não causa surpresa.
"O momento atual é de consolidação do mercado, onde não há mais espaço para empresas aventureiras. Mas ainda há potencial para os coworkings que atuem de forma profissional, com processos bem definidos e uma boa gestão administrativa. Todo segmento vive de início um 'boom', e depois amadurece, fazendo com que somente os que atuam de forma realmente profissional sobrevivam", explica ela.

Geração de empregos
Segundo a pesquisa, ainda que menos espaços estejam 'abrindo as portas', o número de empregos diretos gerados por coworkings dobrou, chegando a 7 mil novos postos de trabalho. "Tanto os coworkings quanto os coworkers contrataram mais neste ano, pois enquanto se gera uma economia com despesas fixas ao aderir a esse tipo de espaço, é possível investir em mão-de-obra qualificada", avalia ela.

A geração de empregos dentro do coworking também reflete a mudança do perfil de empresas que têm aderido a estes locais de trabalho. "Equipes multidisciplinares - profissionais de diversos segmentos de uma empresa - representam 76% da estações de trabalho nos coworkings, enquanto startups, empresas de tecnologia ou profissionais liberais - que eram a maioria quando o segmento começou - hoje são apenas 17%, de acordo com a pesquisa", comenta Bruna.
 

Negócio continua a ser promissor
Segundo dados levantados pelo Censo 2018,  51% dos entrevistados, dizem que a lucratividade do negócio foi abaixo do esperado ou ficou no prejuízo. Na análise da especialista, a falta de investimento pode ser um dos pontos para que empresas estejam insatisfeitas.

"Por falta de crédito no mercado ou capital de giro, algumas empresas ficam paradas, sem alternativa para investir em áreas que envolvam departamentos de marketing e comercial, prejudicando o crescimento da mesmas. A lucratividade abaixo da expectativa se dá pelo momento econômico e pela fase de amadurecimento do setor", explica.

Mas, na visão da especialista, o setor continua a se promissor e vale a pena investir nesse tipo de negócio. "O coworking é um negócio lucrativo e sustentável a médio de longo prazo, se administrado da forma adequada. Variações acontecem em qualquer segmento, e não podem ser vistas como definitivas", finaliza.

 


Bruna Lofego
. Possui mais de sete anos de experiência em coworking. Atualmente é CEO e Founder da CWK Coworking, que conta com quatro espaços, localizados em Minas Gerais e São Paulo. Considerada como uma especialista no segmento, lançou em 2016 o curso Como Montar seu Coworking, atraindo empreendedores e investidores de todo o Brasil interessados em abrir um espaço compartilhado.