Ecole 42, que não tem aula, nem diploma e nem professores chega ao Brasil

26 de Julho de 2019

A unidade do Vale do Silício tem 1.500 alunos e conta com apoio da Nasa e da Google

A escola francesa de programação Ecole 42 abre, em agosto, duas unidades no Brasil. Sem professores. Sem horários fixos. E, de graça. Criada em 2013, em Paris, pelo bilionário francês Xavier Niel, dono de uma fortuna de US$ 4,6 bilhões, segundo a revista americana Forbes, ele doou 50 milhões de euros ao projeto.  Quando você entra na École 42, uma escola de codificação sem professores ca Capital francesa, algumas coisas saltam para você: uma coleção matadora de arte de rua provocante, incluindo uma máquina de preservativos ilustrada na recepção; iMacs até onde os olhos podem ver; e um zumbido palpável dos cerca de mil estudantes que se movimentam pelo prédio.  Ecole 42 é uma escola revolucionária, especializada no desenvolvimento de talentos de programação para o futuro. Preocupada com o fato de o atual sistema edcacional rígido e baseado em conteúdo não estar adaptado a um mundo em rápida mudança, a Ecole 42 baseia-se em aprender fazendo, com a solução de problemas baseada em projetos e a aprendizagem entre pares.     

Convencida de que os talentos de amanhã não serão baseados nos mesmos critérios do passado, a Ecole 42 promove uma missão de Justiça Social, abrindo suas portas para pessoas de todas as origens e estilos de vida. Totalmente financiado por seus benfeitores, a Ecole 42 oferece educação gratuita para todos.

Em dezembro de 2018 o AcontecendoAqui entrevistou Leandro Piazza, professor da Unisul que passou uma temporada no Vale do Silício e conheceu a Escola 42 de São Francisco> Assista ao vídeo aqui.

 

Sem professores e sem exigências prévias
A Ecole 42 caiu nas graças dos recrutadores das principais empresas de tecnologia, interessados em alunos capazes de aprender código resolvendo desafios. Nos EUA, na região do  Vale do Silício a escola abriu sua segunda unidade que recebe 1.500 alunos e conta com apoio da Nasa e da Google.

 

 

Brasil
Independentes entre si, as duas unidades que abrirão em agosto no Rio de Janeiro e em São Paulo, poderão receber mais de 800 alunos – serão 450 na capital fluminense e 360 estudantes em São Paulo. Assim como em todo o mundo, os cursos da École 42 no País serão gratuitos. Mas a dedicação é alta: na média, os estudantes passam cerca de 50 horas por semana dentro da 42. 

 

Como funciona na prática
O site da unidade paulista da École 42 afirma que “ a 42 não é uma escola ou uma faculdade. Somos um espaço onde você escolhe aquilo que quer aprender e aprende fazendo.” A unidade funciona 24 horas, sete dias por semana, e o aluno pode fazer o programa no seu ritmo. Cada projeto é um desafio, que possui uma breve descrição, objetivos e habilidades, onde os participantes definem quando iniciam e concluem, trabalham e aprendem. Alguns projetos são individuais e outros são feitos em grupos, simulando o trabalho no mundo real.

Os interessados em se inscrever para o processo seletivo da unidade paulista da École 42 devem se inscrever no site. Neste primeiro ciclo, a escola espera selecionar 180 alunos. Àqueles que forem aceitos têm 100% da sua bolsa patrocinada por fundações, empresas e pessoas físicas. Não é necessário formação ou experiência anterior em programação. A única exigência é que o candidato tenha mais de 18 anos e seja uma pessoa questionadora, com uma enorme vontade de aprender.

O processo seletivo se dá em três fases: teste online, entrevista presencial e uma imersão de 28 dias na unidade da escola na Vila Madalena, em São Paulo, que irá apresentar o candidato ao método de aprendizagem. Depois da imersão, ou piscina como o time da École 42 chama essa etapa, são selecionados os estudantes que vão prosseguir no programa de três anos da École 42.