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 Acontecendo Aqui - COLUNAS -  O Portal da Propaganda Catarinense - Notícias, colunas e artigos sobre Propaganda em Santa Catarina - Eventos, Agencias, Radios, Televisao, Jornal, Colunistas, empresas e negociosLaudelino José Sardá
Jornalista, professor. 
Acreditando que Florianópolis ainda
terá um prefeito identificado com o
espírito humano da sua população.


AH, LULA, EU BEM QUE GOSTARIA DE CHORAR COM VOCÊ!

04 outubro de 2009

È impossível um brasileiro não sentir um pouquinho de admiração pelo presidente Lula, no mínimo 2%. Ele é na simplicidade um líder notável. Imagine se ele governasse a Dinamarca, a Finlândia, que têm governos eficientes e índice de corrupção beirando a zero? Com certeza, o Vaticano já o teria indicado como candidato a Santo Lula. Se ele aqui consegue fazer milagres, chorando e convencendo, mesmo com o seu governo recheado de denúncias de corrupção, imagine se ele estivesse presidente de uma nação que não sabe o que é roubar dos cofres públicos?

Eu, sinceramente, acho Lula fantástico. Ele ri, chora, sua mesmo em dias frios, diz bobagem e consegue convencer a platéia. É bem melhor que o intelectual Fernando Henrique Cardoso. O ex-presidente FHS fala quatro idiomas e não empolga o povo, enquanto Lula, mal falando o português, arranca aplausos e admiração até de líderes mundiais. “Lula é o cara, disse Obama.

Será que Lula é perseguido pela sorte? Afinal, ele trouxe o campeonato mundial para 2014 e as Olimpíadas para 2016!

Eu acho que Lula empolga tanto que consegue ter 70% da preferência popular, mesmo não assumindo posições claras e decisivas contra a corrupção. Ainda acho que ele é simplório, tipo da criança que ganha um carrinho e ignora o mundo. Não acredito que Lula esteja avalizando tantos e incomensuráveis atos de corrupção. Até a sua comadre Ideli Salvatti foi fazer um cursinho na Espanha por R$ 70 mil e a sua filha privilegiada por contratos com a Eletrosul, presidida por seu pai, Eurides Mescolotto.

Lula deve ter ciência de alguma coisa, pelo menos do que o seu filho anda fazendo. O Lulinha, como é conhecido, mora em uma invejável mansão ao lado da fábrica da Volkswagen, em São Bernardo, e comprou uma fazenda por mais de R$ 40 milhões, no município de Valparaiso, em São Paulo. É por isso que não voto mais em Lula e nem no PT.

Quem tinha razão é Paulo Freire. Tive o prazer, o privilégio e a admiração de fazer uma das últimas entrevistas que o educador deu na Suíça, antes de retornar ao Brasil. E ele me disse uma coisa interessante: o brasileiro é autoritário. É verdade, Lula, a quem Freire hipotecou todo o apoio, ao ajudá-lo a fundar o PT no começo dos anos 80, gostou do sabor do poder e nele vive admirado, esquecendo-se das lições e dos princípios que ele mesmo ajudou a implementar quando líder operário.

Na verdade, comecei a falar de Lula, mas eu quero mesmo é tocar no Rio de Janeiro. Algum brasileiro seria capaz de dizer que o Rio não merecia sediar as olimpíadas de 2016. Sim, ouvi essas ponderações ontem, hoje e vou escutar mais nos próximos dias. Não concordo em pensar enxergar apenas essa alternativa.

Rio é maravilhoso, espetacular, musical, cheio de fantasia, de povo alegre, repleto de natureza exuberante. Começo a torcer para que as Olimpíadas ajudem a transformar o Rio, a recuperar o seu tecido social. Não estou convicto – ainda – de que os R$ 35 bilhões, a serem gastos nos preparativos para o grande evento, produzam efeito multiplicador no resgate da dignidade do povo da mais bela cidade que conheço.

Ontem, sábado, 03, eu ouvi uma entrevista do técnico do Palmeiras, Muricy Ramalho, e achei fantástica. Vou resumir o sentimento de Muricy sobre o Rio como sede das Olimpíadas: vai haver controle dos gastos? Não vai haver corrupção? Vamos aproveitar esse momento em prol de uma cidade mais humana? Muricy expressou tudo aqui que o brasileiro ainda pensa.

Eu tenho o mesmo sentimento de Muricy. Imagine se o Brasil fosse um país confiável. Com certeza, a grande maioria da população estaria nas ruas comemorando e aplaudindo o Rio. Mas vivemos a desconfiança. Eu quero acreditar que a Comissão Olímpica Internacional tenha agido com democracia e ética na escolha do Rio e que não tenha havido corrupção brasileira. Fiquei em dúvida quando vi o Rio preparado para comemorar a conquista. Mas se a votação foi séria, Lula deve ter sentido a experiência de momentos de seriedade na política mundial. Por que não trazer para o Brasil essa experiência? Como seria sadio e seguro para o cidadão brasileiro esperar o óbvio de um julgamento do Supremo Tribunal, sem ser atropelado pelo inusitado, como foi a soltura do banqueiro Daniel Dantas pelo presidente do STF, Gilmar Mendes. Ou pelo engavetamento do processo do mensalão. Ou... bem vou ficar por aqui. Não é oportuno enumerar os equívocos da justiça.

Eu sou um brasileiro que gostaria de ir às ruas aplaudir um presidente honesto. E Lula seria o cara ideal. Ele é simples, fagueiro, gente do bem, mas que depois de oito anos não consegue explicar as causas de tantas ações abomináveis; tanta corrupção que empurrou o brasileiro para a descrença. Eu gostaria de gritar, emocionar-me com o hino, apostar em nossas lideranças, nas instituições; eu quero acreditar e amar o Brasil, mas me sinto bloqueado pela evidência de uma política indecente e corrupta. Não consigo enxergar novos políticos capazes de reoxigenar a nação. São os mesmos personagens a realimentar a desordem, a imoralidade e a desgraça social brasileira.

Se Lula estivesse governando sem os males da corrupção, eu estaria na beira-mar com a foto dele, aplaudindo-o e conclamando a população a apaixonar-se pelo Rio. Mas como posso fazer isso, se bilhões de reais enriquecem uma casta de vigaristas, enquanto no Rio 4,2 milhões de pessoas vivem na miséria?

E gostaria de ter visto pela tevê a pobreza dos morros vibrando com a conquista das Olimpíadas 2016. Mas, não. Só mostraram a classe que vagueia sob proteção da polícia.

Serão R$ 35 bilhões a serem aplicados nos próximos sete anos para preparar o Rio de Janeiro. É muito dinheiro, sim. Mas se essa dinheirama for aplicada de forma a que as Olimpíadas se transformem na salvação humana do Rio, tudo bem. Imagine, o Brasil gastou mais de R$ 60 bilhões em empresas e bancos para salvar-se da crise mundial!

Se o dinheiro exigido pela Confederação Olímpica Internacional for simplesmente gasto em obras, com certeza estará o Brasil, após o evento, oferecendo novo estádio ao Vasco, Flamengo etc... O Rio precisa recuperar a sua dignidade humana e, desta forma, a preparação para as Olimpíadas necessariamente deve significar a reconstrução humana do estado, trabalhando o esporte de forma a ocupar crianças e jovens com atividades sadias e não mergulhadas no ambiente da prostituição e de selvageria.

O Brasil não pode, na visão megalômana de seus dirigentes, querer investir em um grupo de atletas para conquistar medalhas de ouro, não. O Brasil necessita de muito mais. Essas Olimpíadas de 2016 precisam significar uma redenção, o início de um processo de preparação das novas e atuais gerações para o exercício da democracia, com esporte e ética. Se o governo gastar R$ 45 bilhões e recuperar o Rio, servindo de exemplo para o restante do Brasil, também mergulhado em crise social sob o manto da violência urbana, com certeza as Olimpíadas vão nos fazer bem.

Mas como ter esperança se os nossos políticos só querem levar vantagem?

Quem sabe um dia eu possa acreditar no Brasil. Torço por isso.

EM TEMPO: Acabo de saber que Mercedes Sosa morreu. É uma grande perda. Foi uma mulher que venceu as fronteiras musicais e que cultivou a música latina, bem como o canto de liberdade e de justiça. Ela traduziu a angústia de milhões de brasileiros e argentinos atrofiados pelas ditaduras militares. Mercedes ensinou a razón de vivir. Uma guerreira de voz suave e esplendorosa.

COMENTÁRIOS
Paula:
Gostei do seu posicionamento. Também fico pasma com os rotineiros episódios de corrupção no governo e principalmente com as tramóias da senadora candidata ao governo de SC. Uma tremenda cara de pau! Qto ao Lula, acho que ele deveria ser mais crítico, como era antes, e propor investigações ao invés de ser contra todas as CPI's. Mas é certo que para ele chegar onde chegou, precisou fazer conchavos, dever favores para inúmeros partidos e empresas. E sendo assim, esse vínculo não se perde de uma hora para outra. É nessa condição, ou diria, conjuntura, que rola o jogo de cintura dele. Ademais, se ele batesse no peito e radicalizasse para por fim a corrupção (que é grande e percorre todas as esferas do poder, como você mesmo citou a conivência do presidente do STF) logo seria comparado pela imprensa ao camarada Hugo Chaves. Ou cairia em alguma armadilha bem articulada pela oposição (formada partidos, empresas, mídia). Para quem acredita que o mensalão foi um fenômeno do governo Lula, como a imprensa ilustrou, o presidente é o mestre da corrupção. Mas, o contraponto e a dialética dizem que não, que o ranço da vantagem já está instalado há tempos e é reflexo do coronelismo, onde as leis (enfim todo o sistema) foram elaboradas de modo a manter as castas sociais. A idéia de salvação instantânea foi desmistificada com o governo Lula. O mais radical de todos, teve que se curvar ao sistema e talvez, por vezes, até mantê-lo. Mas é importante saber que ele foi o governo que mais investiu na educação. Um grande passo para formar indivíduos alfabetizados e conscientes: verdadeiros cidadãos. E não era isso que Paulo Freire propunha? A educação libertadora que acabasse com a pedagogia do oprimido e do mutismo. A libertação que traz na cartilha o entendimento do materialismo histórico e a luta de classes que foi travada. Uma educação do esclarecimento pós-moderno e não do iluminismo dos déspotas esclarecidos. Que entenda o curso da indústria cultural e de todos os seus bens. Rumo a verdadeira democracia, que só existe, quando a grande maioria realmente compreende o seu contexto social de tal modo que reconhece em si o poder de transformar.

P.S.:No mais, temo pelas falcatruas que poderão ser feitas graças ao canteiro de obras das olimpíadas, mas temo também e, principalmente, pelas que estão sendo feitas aqui pertinho, no Porto de Itajaí: a galinha dos ovos de ouro.

orlando Santos: Vivemos numa falsa democracia,nossos politicos se vestem como se fossem um pais de primeiro mundo,e agem como um pais de terceiro mundo.
Temos um presidente que sempre lutou pela etica junto com seu partido,e hoje se faz de surdo e cego,pois e o mesmo que governa,então hoje isso pra ele não interessa,as falcatruas faz parte desce governo insano,hoje ser honesto em nosso pais e ter vergonha.
Orlando Santos
nereu guidi:
Sardá!
Foram-se os anos, mas ficaram os sonhos.
Ainda és o jornalista combativo que conheci de perto nos anos 80, quando servi o Governo do Estado nos tempos de pouca liberdade.
Foram-se os anos, mas nem com a plena liberdade deixaste de indicar caminhos.
Crítico, mas construtivo.
Cláudia R.S.Vieira:
Seja a verba para a preparação do Rio rumo às olimpíadas ou seja a verba orçamentária do governo federal, se não houver desvio dá para resolver muitos problemas no país...dá e sobra!!!
Armando Brose:
Viva a LIBERDADE!
Comentários assim são de pessoas LIVRES de opinião como vc.
Parabéns!
Você escreveu o que muitos brasileiros, e políticos gostariam de escrever... mas não podem por estarem comprometidos com ideologias, ou partidos.

Ariel':
Falo tudo.

Coloque parte do teu texto no meu blog, com a respectivas referencias.

Obrigado
 
 
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