| AH, LULA, EU BEM QUE GOSTARIA DE CHORAR COM VOCÊ! |
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04 outubro de 2009 Eu, sinceramente, acho Lula fantástico. Ele ri, chora, sua mesmo em dias frios, diz bobagem e consegue convencer a platéia. É bem melhor que o intelectual Fernando Henrique Cardoso. O ex-presidente FHS fala quatro idiomas e não empolga o povo, enquanto Lula, mal falando o português, arranca aplausos e admiração até de líderes mundiais. “Lula é o cara, disse Obama. Será que Lula é perseguido pela sorte? Afinal, ele trouxe o campeonato mundial para 2014 e as Olimpíadas para 2016! Eu acho que Lula empolga tanto que consegue ter 70% da preferência popular, mesmo não assumindo posições claras e decisivas contra a corrupção. Ainda acho que ele é simplório, tipo da criança que ganha um carrinho e ignora o mundo. Não acredito que Lula esteja avalizando tantos e incomensuráveis atos de corrupção. Até a sua comadre Ideli Salvatti foi fazer um cursinho na Espanha por R$ 70 mil e a sua filha privilegiada por contratos com a Eletrosul, presidida por seu pai, Eurides Mescolotto. Lula deve ter ciência de alguma coisa, pelo menos do que o seu filho anda fazendo. O Lulinha, como é conhecido, mora em uma invejável mansão ao lado da fábrica da Volkswagen, em São Bernardo, e comprou uma fazenda por mais de R$ 40 milhões, no município de Valparaiso, em São Paulo. É por isso que não voto mais em Lula e nem no PT. Quem tinha razão é Paulo Freire. Tive o prazer, o privilégio e a admiração de fazer uma das últimas entrevistas que o educador deu na Suíça, antes de retornar ao Brasil. E ele me disse uma coisa interessante: o brasileiro é autoritário. É verdade, Lula, a quem Freire hipotecou todo o apoio, ao ajudá-lo a fundar o PT no começo dos anos 80, gostou do sabor do poder e nele vive admirado, esquecendo-se das lições e dos princípios que ele mesmo ajudou a implementar quando líder operário. Na verdade, comecei a falar de Lula, mas eu quero mesmo é tocar no Rio de Janeiro. Algum brasileiro seria capaz de dizer que o Rio não merecia sediar as olimpíadas de 2016. Sim, ouvi essas ponderações ontem, hoje e vou escutar mais nos próximos dias. Não concordo em pensar enxergar apenas essa alternativa. Rio é maravilhoso, espetacular, musical, cheio de fantasia, de povo alegre, repleto de natureza exuberante. Começo a torcer para que as Olimpíadas ajudem a transformar o Rio, a recuperar o seu tecido social. Não estou convicto – ainda – de que os R$ 35 bilhões, a serem gastos nos preparativos para o grande evento, produzam efeito multiplicador no resgate da dignidade do povo da mais bela cidade que conheço. Ontem, sábado, 03, eu ouvi uma entrevista do técnico do Palmeiras, Muricy Ramalho, e achei fantástica. Vou resumir o sentimento de Muricy sobre o Rio como sede das Olimpíadas: vai haver controle dos gastos? Não vai haver corrupção? Vamos aproveitar esse momento em prol de uma cidade mais humana? Muricy expressou tudo aqui que o brasileiro ainda pensa. Eu tenho o mesmo sentimento de Muricy. Imagine se o Brasil fosse um país confiável. Com certeza, a grande maioria da população estaria nas ruas comemorando e aplaudindo o Rio. Mas vivemos a desconfiança. Eu quero acreditar que a Comissão Olímpica Internacional tenha agido com democracia e ética na escolha do Rio e que não tenha havido corrupção brasileira. Fiquei em dúvida quando vi o Rio preparado para comemorar a conquista. Mas se a votação foi séria, Lula deve ter sentido a experiência de momentos de seriedade na política mundial. Por que não trazer para o Brasil essa experiência? Como seria sadio e seguro para o cidadão brasileiro esperar o óbvio de um julgamento do Supremo Tribunal, sem ser atropelado pelo inusitado, como foi a soltura do banqueiro Daniel Dantas pelo presidente do STF, Gilmar Mendes. Ou pelo engavetamento do processo do mensalão. Ou... bem vou ficar por aqui. Não é oportuno enumerar os equívocos da justiça. Eu sou um brasileiro que gostaria de ir às ruas aplaudir um presidente honesto. E Lula seria o cara ideal. Ele é simples, fagueiro, gente do bem, mas que depois de oito anos não consegue explicar as causas de tantas ações abomináveis; tanta corrupção que empurrou o brasileiro para a descrença. Eu gostaria de gritar, emocionar-me com o hino, apostar em nossas lideranças, nas instituições; eu quero acreditar e amar o Brasil, mas me sinto bloqueado pela evidência de uma política indecente e corrupta. Não consigo enxergar novos políticos capazes de reoxigenar a nação. São os mesmos personagens a realimentar a desordem, a imoralidade e a desgraça social brasileira. Se Lula estivesse governando sem os males da corrupção, eu estaria na beira-mar com a foto dele, aplaudindo-o e conclamando a população a apaixonar-se pelo Rio. Mas como posso fazer isso, se bilhões de reais enriquecem uma casta de vigaristas, enquanto no Rio 4,2 milhões de pessoas vivem na miséria? E gostaria de ter visto pela tevê a pobreza dos morros vibrando com a conquista das Olimpíadas 2016. Mas, não. Só mostraram a classe que vagueia sob proteção da polícia. Serão R$ 35 bilhões a serem aplicados nos próximos sete anos para preparar o Rio de Janeiro. É muito dinheiro, sim. Mas se essa dinheirama for aplicada de forma a que as Olimpíadas se transformem na salvação humana do Rio, tudo bem. Imagine, o Brasil gastou mais de R$ 60 bilhões em empresas e bancos para salvar-se da crise mundial! Se o dinheiro exigido pela Confederação Olímpica Internacional for simplesmente gasto em obras, com certeza estará o Brasil, após o evento, oferecendo novo estádio ao Vasco, Flamengo etc... O Rio precisa recuperar a sua dignidade humana e, desta forma, a preparação para as Olimpíadas necessariamente deve significar a reconstrução humana do estado, trabalhando o esporte de forma a ocupar crianças e jovens com atividades sadias e não mergulhadas no ambiente da prostituição e de selvageria. O Brasil não pode, na visão megalômana de seus dirigentes, querer investir em um grupo de atletas para conquistar medalhas de ouro, não. O Brasil necessita de muito mais. Essas Olimpíadas de 2016 precisam significar uma redenção, o início de um processo de preparação das novas e atuais gerações para o exercício da democracia, com esporte e ética. Se o governo gastar R$ 45 bilhões e recuperar o Rio, servindo de exemplo para o restante do Brasil, também mergulhado em crise social sob o manto da violência urbana, com certeza as Olimpíadas vão nos fazer bem. Mas como ter esperança se os nossos políticos só querem levar vantagem? Quem sabe um dia eu possa acreditar no Brasil. Torço por isso. |