ENTREVISTA | Graziela Sanchez, catarinense que despontou no canto lírico nacional lança livro em Floripa

04 de Outubro de 2016

“Linha do Tempo” será a partir das 19h, no Tralharia, em Florianópolis

Graziela Sanchez deixou Florianópolis atrás de um sonho, há 25 anos. Tinha iniciado o curso Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, mas logo percebeu que sua vocação era o canto lírico. Partiu para a metrópole, onde tornou-se membro do coral lírico do Teatro Municipal, em janeiro de 1994. Lá naquele palco pôde viver vários personagens, conviver com grandes nomes da lírica mundial e participar de grandes projetos sociais. Graziela tem mais um projeto em construção: transformar o canto lírico em arte que se aprende na escola. "O projeto está em busca de patrocínio e apoio cultural e deve começar pelas escolas de São Paulo. Já tivemos uma experiência em uma escola privada, mas agora queremos levar para a rede pública de ensino”, conta.
Nesta quarta-feira, 5 de outubro, Graziela Sanchez lança, em Florianópolis, a partir das 19h, no Tralharia, o livro Linha do Tempo, que reproduz poemas publicados pela autora em sua linha do tempo no Facebook. "A poesia experimentada no ambiente digital me surpreendeu tanto que a mim e à editora motivou este lançamento, espero que gostem!", disse a autora, ao demonstrar emoção por voltar à Santa Catarina para apresentar o livro. 
 

AA - Graziela, de onde veio a música na sua trajetória e onde ela encontrou a poesia para este livro?
 
Graziela Sanchez - Para mim a música e a poesia nasceram juntas, na minha infância. Minha casa era muito musical, meu pai era violinista e meus quatro irmãos são músicos. Tocávamos, cantávamos e fazíamos poesia. Não faço distinção entre música e palavra, até porque a música que escolhi, que é o canto, é a palavra cantada.
 
 
AA - Como foi sua chegada ao Municipal de São Paulo e quais são seu momentos mais marcantes dessa conquista?
 
Graziela Sanchez - Cheguei em São Paulo com muita expectativa e muito assustada. Minhas conquistas mais marcantes foram, sem dúvida, as primeiras. O primeiro pensionato onde morei, no Ipiranga, a primeira viagem de metrô, o primeiro teste no coral Sinfônico de São Paulo, a aprovação no vestibular para bacharelado em canto, era tanta expectativa que não encontrei meu nome na lista do jornal (risos) e, claro, a entrada no Teatro Municipal. Lembro que nem havia cogitado fazer minha inscrição para o teste. Um amigo me levou quase amarrada e valeu a pena toda a adrenalina. Pude me provar emocional e profissionalmente. As maiores emoções foram ouvir as grandes vozes e contracenar com grandes artistas.
 

AA - Que personagem de ópera mais te orgulhou fazer e por que?
  
Graziela Sanchez - Na verdade o que foi mais marcante foi uma cantata de Claude Debussy chamada L'enfant Prodigue (o filho pródigo) onde o soprano interpreta a mãe. A música é maravilhosa e o sofrimento da mãe é bem conhecido . Muito comovente!
 

AA - Conte como será o projeto de canto lírico nas escolas de São Paulo?
 
Graziela Sanchez - Meu sonho é que seja completo. Que as crianças possam  entender e participar de todas as etapas de uma produção operística que conta com todo o preparo cênico , figurinos adereços, maquiagem e claro, a música. A ideia central é a formação de público. A ópera é um gênero popular de música, é preciso aproximar as novas gerações para que essa cultura não se perca.
 
 
AA - O que os leitores vão encontrar em Linha do Tempo?
 
Graziela Sanchez - Este livro surgiu do incentivo de amigos ao lerem o que eu escrevia em posts no Facebook. Então resolvi dar ouvidos a eles e compilar meus escritos da linha do tempo. São quatro anos de impressões escritas diretamente no calor das emoções. Um exercício de desprendimento. São escritos, não necessariamente poemas.
 
 
AA - Santa Catarina te inspira? 

Graziela Sanchez - Me inspira demais! Depois de tantos anos em São Paulo, ainda é aqui que me sinto em casa!