Game da corrupção e final do campeonato

17 de Abril de 2015

“É a final do campeonato, a oportunidade de ver meu time ser campeão aqui na minha cidade é demais, cara”, responde o rapaz com o boné virado para trás, casaco de moletom amarrado na cintura, cavanhaque e óculos de grau. O entrevistador francês, com bigodão postiço à la Mario Bros, blazer surrado e acompanhado de sua câmera woman concorda com o torcedor e continua a entrevista querendo saber quem são os maiores ídolos do rapaz na INTZ, e que tal o coreano, etc. O entrevistador tem dificuldade com a língua portuguesa, mas em matéria de game e gamers eles se entendem perfeitamente.

A final do Campeonato Brasileiro de LOL – League Of Legends, o game mais jogado no mundo, teve todos os ingressos vendidos em menos de 2 horas através do site. Meu filho não conseguiu comprar, a venda foi após a meia-noite. Em compensação, estávamos ali no aeroporto Hercílio Luz onde ele tirava foto com os craques das equipes finalistas. Os coreanos, o gORDOx, o Takeshi, o Revolta, todos ali, acessíveis e simpáticos, desarmados.

A final do CBLOL tem arena reservada e hora marcada:

Florianópolis – Brasil

Centrosul, 18 Abril, 2015 – 12:00 pm

 

onmywaytodiamond.com/category/floripa

Os coreanos são treinados desde pequenos para os games, da mesma forma que treinam os brasileiros para o futebol. O Brasil já ocupa a 4ª posição no mercado mundial de games e movimenta R$ 900 milhões por ano. Segundo o Ibope, 23% dos brasileiros são jogadores assíduos ou eventuais, o que representa 45,2 milhões de pessoas. Os tipos de aplicativos mais baixados para smartphones e tablets são os jogos e 35% das pessoas entrevistadas afirmam baixar jogos semanalmente. Porém, 75% das pessoas só utiliza jogos gratuitos. A publicidade é uma das formas mais aceitas pelos gamers em troca da gratuidade dos jogos. No entanto, é preciso cuidado para que a performance e a interação não sejam comprometidas.

Diferente do futebol, a estrutura do mercado de games tem muito para crescer no Brasil. Em um mercado ávido pelo consumo, a infraestrutura deixa a desejar e a geração de empregos em quantidade e qualidade está no começo do que poderá vir a ser. A mídia aos poucos vai se acostumando a coberturas de finais de campeonatos nas quais não há uma bola. Porém, assim como os coreanos investem forte nas seleções de base para fazer bonito na Copa FIFA, o Brasil também tem condições de investir em sua molecada para detonar nos consoles e games mundo a fora. Já pensou quantos jogos legais poderiam ser feitos baseados na história recente brasileira? Imagine um em que uma equipe mega power tenha que entrar em uma refinaria, desentupir um oleoduto obstruído por montanhas de dólares e desativar um grande esquema de corrupção que está destruindo as reservas do país. Ao término da missão, as escolas e hospitais ganham novas instalações, passam a brilhar e filas nos postos de saúde diminuem. Algo assim, bem surreal, mesmo durante uma partida de 45 minutos, seria bacana.

Carlo Manfroi

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    Carlo Manfroi é publicitário e escritor especialista em storytelling, pós-graduado em marketing interativo, CEO da Qualé Digital, professor de pós-graduação especializado em gerenciamento de crise e branding. Email: carlo@qualedigital.com – www.qualedigital.com www.storystudio.com.br