Coluna Ozinil Martins | Manguezal do Itacorubi: patrimônio ameaçado!

19 de Novembro de 2019

O segundo maior mangue em área urbana do Brasil está em processo de degradação lenta e inexorável se nada for feito

Difícil entender os habitantes racionais do planeta azul; a destruição a que submete o único planeta que é o habitat da humanidade é inconcebível. Parece que as pessoas não entendem que, quando se elimina uma espécie apenas, estamos diminuindo a diversidade do planeta e, é esta diversidade que permite o equilíbrio ambiental.

O desmatamento da Amazônia (dados estatísticos divulgados na manhã de 19.11 mostram o crime imenso que se comete contra a humanidade) na busca de madeiras nobres e da necessidade de abrir espaços para a produção de carne; o despovoamento dos rios do pantanal pela pesca predatória; a destruição indiscriminada da mata atlântica colocando em risco a maior diversidade de espécies animais do país; a desertificação da região dos pampas são estragos incalculáveis e fruto da irresponsabilidade das pessoas e do descaso das autoridades.

Semana passada, denúncias surgiram sobre o paraíso que se chama Manguezal do Itacorubi (em Tupi-Guarani: Rio das Pedras Esparsas). É o segundo maior mangue em área urbana do Brasil e um dos maiores em áreas urbanas do mundo; são mais de 1,5 km² de uma área incrustrada na cidade de Florianópolis, de um viveiro natural de espécies marinhas e de referência na humanização da cidade. 

Pois, este mangue, está em processo de degradação lenta e inexorável se nada for feito. Plásticos, garrafas pet, óleo combustível, além de outros elementos poluem o manguezal e, colocam em risco o viveiro natural que permite a vida em seu interior, o sustento de pescadores artesanais e vida à cidade. Pior é que o mangue nunca esteve tão luxuriante quanto nos tempos atuais e em processo de crescimento. O que poderia ser encarado como uma boa notícia nada mais é que a descarga de esgoto “in natura” em toda sua extensão. 

Segundo o presidente do Instituto Mangue Vivo do Itacorubi este é o local mais visitado, em todo o país, pois em administrações anteriores foram construídos acessos que permitiam as pessoas interagir com o mesmo. Hoje estes acessos estão destruídos, impossibilitando as pessoas de o conhecerem. 

Como o mangue está incrustado em uma zona urbana densamente povoada,  necessário se faz sua urgente preservação para a saúde desta mesma população, que o agride de todas as formas possíveis e imagináveis. Caminhando em suas bordas e na própria Av. Madre Benvenuta é possível conviver com pássaros, jacarés do papo-amarelo, tartarugas entre outros animais que ali vivem. Hora de a população acordar e intimar as autoridades responsáveis; muito mais importante que asfaltos, facilidades aos motorizados é a preservação do que dá sustentação à vida. 

Hoje foi divulgado em todo o mundo denúncias de órgãos ambientais de que, provavelmente, a geração que está nascendo agora, viverá menos que suas antecessoras, fruto do aumento da temperatura do planeta. Ao invés de demonizar a menina Greta Thumberg, penso que deveríamos ouvi-la!
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.