Coluna Ozinil Martins | Inspirações Educacionais da Finlândia!

12 de Novembro de 2019

 

Na última sexta feira estive no workshop que se propôs a analisar o modelo de educação que transformou a Finlândia em um país com reconhecimento internacional na área. A palestrante foi a Senhora Eeva Kaarina Penttilä, professora experiente e com participação no Conselho de Educação do país. O evento foi uma realização do Sistema de Ensino Energia e da AMPESC – Associação das Mantenedoras Particulares de Ensino Superior de Santa Catarina.

Até os anos 50 do século passado a Finlândia era um país com profundas carências econômicas e que impediam de forma significativa o desenvolvimento social. A partir desta constatação a sociedade, através de suas forças políticas, pactuou que a educação seria a pedra fundamental da mudança e, a partir desta decisão, todos os esforços foram envidados no sentido de criar um sistema de educação que possibilitasse o alcance deste objetivo. Algumas das ações que foram operacionalizadas:

 

A escola como comunidade de aprendizagem

Todo esforço deveria ser conduzido para transformar a escola no ponto de convergência da comunidade; o envolvimento dos pais com a escola é uma das colunas que sustenta o sucesso da Finlândia na educação. O interessante é que os pais são convidados a NÃO ajudarem os filhos nos deveres de casa, pois assim o fazendo, as dificuldades de seus filhos serão identificadas com mais facilidade pelo professor que terá formas de agir para corrigi-los. Outro dado interessante é que a quantidade de lição para casa é mínima.

 

Todo o ensino é gratuito

Desde o nível básico até o ensino superior é garantido aos estudantes gratuidade e não existe nenhuma escola particular no país. Interessante é que as escolas que apresentam as maiores dificuldades no processo de aprendizagem são as que recebem as maiores verbas e a atenção das autoridades educacionais. Um dado que chama a atenção é que é muito alto o número de estudantes que fazem curso superior em outros países do bloco europeu.

 

Aprendizagem formal e informal

A ênfase que é dada ao processo de ensino informal é tão ou mais significativa que o ensino formal. Atividade paralela como visita a museus, viagens direcionadas, trabalhos específicos complementam o ensino formal de forma significativa. No exemplo dado foi citado que na Finlândia não existem mais marceneiros, pois todos aprendem marcenaria nas escolas e, realizam os trabalhos que se fazem necessários em suas casas. Outro exemplo citado foi de que toda criança finlandesa é preparada
para os ofícios culinários e que a partir de uma determinada idade, todas cozinham, pois, quase sempre, ficam sozinhas em casa e tem que providenciar seu sustento.

 

Envolvimento da política na educação

Não existe! Desde que se pactuou que a educação será a mola mestre do desenvolvimento finlandês, independente do partido político que está no governo, às escolas não são usadas para proselitismo político e, a doutrinação em sala de aula não existe. Não há proibição sobre isso, mas não há quebra de regras a respeito.

 

Respeito pela Escola 

O homem que mais ganhou dinheiro no país em 2018 foi um “gamer”. Além dos altos impostos que recolheu, ele doou 50% do que ganho líquido para a educação. Esta é a
forma encontrada pelo cidadão para reconhecer a importância da escola em sua formação.

 

Formação do Professor

Há uma profunda preocupação com a formação dos professores. Só é permitido lecionar ao professor com curso de mestrado; os cursos de pedagogia são os mais
procurados e abrigam os melhores alunos egressos do ensino médio; é proibido na Finlândia curso de pedagogia à distância; os professores recebem cursos de formação continuada anualmente e, além disso, participam, por conta própria, de cursos de verão, isto é, em seus períodos de férias. O valor gasto pode ser abatido do imposto
de renda. Os cursos de teatro são procurados pelos professores como forma de melhorar suas performances em sala de aula.

 

A inteligência artificial e a mudança do perfil do trabalhador

A preocupação existe, mas além do que já está se praticando em alguns países, não há nenhuma ação sendo desenvolvida. Há empregos sendo eliminados e a requalificação tem sido o caminho utilizado para alongar a vida profissional das pessoas. Este é um tema aberto em todo o mundo e soluções têm que ser buscadas. Parece que temos muito a aprender com os finlandeses, mas como são culturas diferentes é importante que, usando da experiência deles, possamos traçar nossos próprios caminhos. O que nos foi mostrado é que isso é possível!
 

 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.