Coluna Ozinil Martins | A conta? O contribuinte paga!

15 de Outubro de 2019

Parece não existir profissionalismo quando se trata de poder público

Há um princípio básico em administração que exige, ao se tomar uma decisão, que se faça a análise de problema em potencial a partir da decisão tomada. É fundamental que se pergunte: quais serão os possíveis problemas oriundos da possível decisão? Isto é, no mínimo, bom senso!

Os políticos brasileiros, na ânsia de se perpetuarem no poder, tomam as decisões casuisticamente e, provavelmente, sequer consultam seus assessores técnicos em relação às possíveis consequências das decisões tomadas. O importante é fazer feliz os seus possíveis eleitores; é fazer algum pretenso benefício ao povo.
Há um exemplo claro do que se pretende mostrar. No governo Dilma foi criado mecanismo que visava facilitar a renovação da frota de caminhões do país e, ao mesmo tempo, criar condições favoráveis a que novos trabalhadores comprassem, com financiamento de longo prazo e juros baixos, seus caminhões e passassem a competir no mercado de transportes.

Ao não fazer a pergunta sobre o que poderia dar errado se a decisão fosse tomada, o governo permitiu a entrada de novos competidores em um país em crise, com restrição no transporte de produtos que são a matéria prima dos caminhoneiros e a consequência foi que a oferta superou a procura e o valor do frete despencou. Resultado: os caminhoneiros não puderam pagar suas prestações e a consequência foi a paralização que provoca reflexos até os dias de hoje. 

O segundo exemplo de erro vem do Fundo De Investimento Estudantil (FIES). A intenção foi ótima, o resultado um desastre! O governo percebendo que a capacidade instalada das unidades de educação superior privadas tinha uma grande ociosidade planejou ocupar estas vagas através da oferta de financiamento. Óbvio que as grandes beneficiadas foram às instituições de ensino privadas e, quem acabou perdendo foi o contribuinte brasileiro, pois a conta será paga por ele. Aos fatos! As instituições ao perceberem que o estudante pagaria apenas uma taxa simbólica a cada período e que o financiamento seria pago depois de formado, com carência de 18 meses e ao longo de, até três vezes a duração do curso, começaram a elevar o preço das mensalidades e a “empurrar” os estudantes para o financiamento. Moral da estória: quem antes do FIES se formava com a ajuda de pais, irmãos, tios e, saia da faculdade sem dívida, hoje, sai com uma dívida de 12 anos comprometendo a si a ao seu avalista. 
Com o mercado de trabalho em crise, com a mudança de perfil profissional exigida pelas novas profissões, com currículos engessados e defasados, os formados não conseguem se colocar, a inadimplência explodiu (superior a 50%) e não existe solução à vista. O estudante e seus fiadores estão endividados e o país com sérios problemas.

Parece não existir profissionalismo quando se trata de poder público; o dinheiro não é responsabilidade de ninguém e os erros são assumidos por todos os contribuintes. A América Latina é pródiga em exemplos de desperdício de dinheiro público, de má gestão, de tornar a vida do cidadão comum insustentável. Quando este quadro de absurdos será mudado? Quando deixaremos de eleger palhaço, cantor, jogador de futebol? Quando o Brasil será reconhecido pela qualidade de seus representantes políticos? A decisão está nas mãos do povo brasileiro, pois em breve haverá nova eleição!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.