Coluna Ozinil Martins | Como o colonialismo se renova

10 de Setembro de 2019

Atualmente muitos países carregam o peso de terem sido submetidos aos métodos civilizatórios de seus colonizadores sem levar em consideração as peculiaridades locais

Os países europeus foram os colonizadores dos continentes descobertos. França, Espanha, Portugal, Holanda, Alemanha, Itália, Bélgica foram responsáveis pelo processo de domínio das colônias que eram, essencialmente, fornecedoras de matérias primas e gente para a realização de trabalhos em benefício dos colonizadores. Isto aconteceu nas Américas, na África e na Ásia. Atualmente muitos países carregam o peso de terem sido submetidos aos métodos civilizatórios de seus colonizadores sem levar em consideração as peculiaridades locais; assim foram criadas fronteiras aleatórias que não atendiam as necessidades existentes. Hutus e Tutsis, que hoje formam Ruanda, foram unidos sob a mesma bandeira pelo país colonizador – Bélgica; os Tutsis representavam 10% da população e foram designados para serem os governantes de Ruanda. Conclusão: mais de 1 milhão de mortos na guerra racial do país na década de 90. Isto aconteceu em toda a África e no Oriente Médio com a criação de fronteiras artificiais criando países sem respeitar as etnias. Hoje a forma para implantar o neocolonialismo é pela diplomacia e poder econômico. A Amazônia é só a pedra de toque para restrições comerciais ao competitivo agronegócio brasileiro. Medidas sanitárias, alegações de destruição do meio ambiente e interesses comerciais são argumentações que ajudam a manter a subjugação de países que tentam desenvolver-se e alçar-se à condição de país desenvolvido. Claro que não defendo a destruição do meio ambiente, mas é importante ficar atento ao que acontece entre países e os interesses subjacentes. 

É possível confiar nas Instituições brasileiras?
Recentemente no programa Roda Viva da TV Cultura o jornalista José Nêumanne Pinto ao responder pergunta sobre se confiava no Supremo Tribunal Federal respondeu categoricamente com um não. O jornalista está carregado de razão! No impeachment da Srª Dilma Rousseff o condutor do processo, lá pelas tantas, cria a figura do perde o mandato, mas não perde os direitos políticos; recentemente processo já julgado em duas instâncias, segundo interpretação da 2ª Turma do STF, não respeitou o regramento do processo, o que não consta em nenhuma lei e, o Sr. Aldemir Bendine teve seu processo anulado, abrindo a possibilidade de anulação para mais de 140 condenados pedirem o cancelamento de suas penas, praticamente, acabando com tudo que a operação Lava-Jato fez até agora. Criar análises à revelia da lei é casuísmo e só serve para desacreditar as instituições que deveriam ser as fiadoras da honestidade e integridade do país. Se o olhar for para o Congresso Nacional, onde temos deputados que, à noite, são recolhidos a presídios para cumprir pena, é possível entender por que a aprovação de mudanças na lei penal é tão difícil. Semana passada o Ministro Fachin encaminhou para análise do plenário do STF o pedido da defesa de Lula, que pede a anulação do seu processo. Será que agora vai? Imaginem investidores estrangeiros que querem investir no país ao tomarem conhecimento da insegurança jurídica que nos orienta; você investiria seu dinheiro em um país sem credibilidade e segurança jurídica?

Estimativa da População 2019!
O IBGE divulgou recentemente a Estimativa da População 2019. Em visita à agência do IBGE, em Florianópolis, fui gentilmente atendido e recebi todos os dados que compõem o trabalho realizado de forma brilhante. Como professor de Geografia precisava dos dados completos para poder analisar para onde caminha o Brasil e Santa Catarina em especial. A partir destas informações aproveitarei o espaço para divulgar alguns dados aos leitores desta coluna. Santa Catarina tem 295 municípios, sendo que os cinco mais populosos são: Joinville (590.466), Florianópolis (500.973), Blumenau (357.199), São José (245.586) e Chapecó (220.367); os cinco menos populosos são: Santiago do Sul (1.260), Lajeado Grande (1.427), Paial (1.505), Jardinópolis (1.570) e Flor do Sertão (1.582). Santa Catarina tem entre seus municípios o total de 104 municípios com menos de 5 mil habitantes. Olhando sob a ótica da gestão são municípios que dependem (com exceções), basicamente, do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para pagarem suas contas básicas. O estudo que foi feito pelo Tribunal de Contas do estado mostra isso claramente. Há estudos que defendem a volta destes municípios ao “status” anterior. Enquanto prevalecer a visão política ao invés da gestão pública esta realidade continuará a existir. Na próxima coluna comentarei o crescimento da população acima da média nacional e o fenômeno da “litoralização”.

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.