Coluna Fabricio Wolff | Tecnologia, Jornalismo e Mercado

17 de Outubro de 2019

Não chega a ser novidade. Jornais impressos de renome nacional e internacional ficaram pelo caminho neste contemporâneo momento digital

A modernidade, desde sempre, sepulta história e empregos. Assim foi com a Revolução Industrial, iniciada no século 18, assim continua sendo com a produção de equipamentos robóticos que substituem o ser humano em muitas tarefas nas últimas décadas. A comunicação não ficaria fora deste processo. A tecnologia criou outras maneiras de levar a informação às pessoas e a realidade chegou a Santa Catarina.

Dói na história das comunidades catarinenses de Blumenau e Joinville, por exemplo, o fim da circulação diária impressa do Jornal de Santa Catarina e do A Notícia. O Santa, carinhosamente chamado pelos seus leitores, marca também o pioneirismo de Blumenau nas comunicações. Foi o primeiro jornal diário a ser impresso em Santa Catarina, quando sua primeira edição saiu às ruas em 11 de setembro de 1971.  Não conseguiu completar 50 anos como diário. O jornal A Notícia foi fundado na década de 20, como periódico não diário. A partir de 1978 tornou-se diário e foi um dos jornais catarinenses mais respeitados no sul do país. 

Esta “morte” estava anunciada há algum tempo. Faz parte dos novos tempos da influência tecnológica na comunicação, um “avanço natural”. Era conhecida desde que o grupo NSC tomou conta dos veículos até então da RBS. Talvez a única surpresa tenha sido a anunciada extinção diária impressa do Diário Catarinense – o único jornal do grupo que mantinha sua circulação estadual. Por enquanto haverá edição semanal impressa dos jornais. No Caso do Hora SC, nem isso. Só on line. Sinal dos tempos, sem dúvida. Porém o que parece uma tragédia, pode ser a oportunidade para o fortalecimento dos jornais menores, municipais ou microrregionais.

A realidade é que o mercado de trabalho nos veículos de comunicação tradicionais está cada vez mais restrito. Redações cheias de mesas e jornalistas é coisa do passado. Emissoras de rádio com muitos profissionais, também. Houve um tempo em que uma equipe de reportagem televisiva tinha motorista e até iluminador. As coisas mudam. Recentemente, quando presidi a Associação de Imprensa do Médio Vale do Itajaí (Assimvi), entre 2016 e 2018, focamos grande parte de nossos eventos de capacitação para os profissionais da imprensa nos pilares mídias digitais e empreendedorismo. 

Não é mais possível ser aquele profissional à espera de um emprego, muito menos de um emprego tradicional em veículo de comunicação. É preciso reinventar a própria profissão. É necessário que os profissionais entendam mais de marketing, de negócios, de empreendedorismo, e muito mais de mídias digitais. Que as universidades preparem os futuros jornalistas para esta nova realidade de mercado. O jornalismo ainda é o grande divisor de águas entre a informação confiável e a simples informação. Mas o mercado jornalístico de três, duas... uma década atrás, não existe mais.
 

Fabrício Wolff

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    Possui graduação em Jornalismo e Direito. Pós graduado em Educação. Experiência profissional na Comunicação desde 1980, tendo atuado tanto nos principais veículos de comunicação do estado especificamente na área de Jornalismo, como também em agências de publicidade. Profissional multimídia, professor universitário nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Administração. Natural de Porto Alegre, radicado em Blumenau desde 1983, mudou-se para Florianópolis em 2019.