Coluna Fabrício Wolff | O Natal também comunica!

24 de Dezembro de 2019

Com sua magia, seu brilho, seus personagens que povoam o nosso imaginário adulto-infantil, o tal espírito natalino traz consigo uma aura de bondade, leveza, fraternidade

Em nenhum dos dois natais anteriores em que já figuro na seleta lista de colunistas do Acontecendo Aqui, abordei o tema Natal em meus textos de final de ano. Soa meio chavão. Também não sou muito afeito a tradições. Por outro lado, parece que, mesmo sem querer, deixei para a hora certa. Afinal, nunca o Natal precisou comunicar tanto para o povo de um país que se deixou levar pela divisão. 

O Natal comunica. Com sua magia, seu brilho, seus personagens que povoam o nosso imaginário adulto-infantil, o tal espírito natalino traz consigo uma aura de bondade, leveza, fraternidade. Sua simbologia é nossa realidade: árvore enfeitada, Papai Noel, renas, presépio. E a impressão que dá é que nunca os brasileiros precisaram tanto desta essência. Nunca precisamos tanto de um pouco de amizade, paz, compreensão, desarmamento de corações.

Seja qual a explicação que se busque para o Natal – da religiosidade do nascimento de Jesus aos contos sobre São Nicolau e outros tantos, ela é envolta em boas ações, em doação (de carinho, afeto, de um olhar complacente), em momentos de fraternidade. Não há como negar que, chegada a esta época do ano, que no Brasil alia-se ao final do ano e, para a grande maioria, início das férias, fica a forte impressão de que as rusgas do dia a dia perdem importância (seja para o espírito natalino, seja para o cansaço do cotidiano conturbado de um ano que se finda).

Seria muito bom se este espírito mais ameno, mais amigo, mais amoroso que se encontra no Natal pudesse se esparramar por todo o ano seguinte. Mas sabemos que isso é utopia. O ano que termina parece encerrar, também, este período especial que comunica a todos nós que precisamos reavaliar conceitos e atitudes. A roda do passar dos anos continua girando e com o seguir dos dias o espírito mundano toma as rédeas da vida de todos nós. 

Isto não quer dizer, no entanto, que o Natal não tenha deixado seu recado, não tenha comunicado: podemos ser melhores, ter um país e um mundo melhor. Precisamos apenas abrir nossos corações junto com nossos olhos, sermos um pouco mais amenos em nossa insana batalha diária por ter razão e lembrarmos que onde há respeito mútuo, há diálogo. Ainda que não sejamos – nem queiramos ser – perfeitos a ponto de dar a outra face, podemos ser complacentes a ponto de não apontar o dedo como julgadores da vida alheia. Todos temos defeitos, todos somos humanos. Mas a árvore que nos ilumina é a mesma, independente de sua cor.

Fabrício Wolff

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    Possui graduação em Jornalismo e Direito. Pós graduado em Educação. Experiência profissional na Comunicação desde 1980, tendo atuado tanto nos principais veículos de comunicação do estado especificamente na área de Jornalismo, como também em agências de publicidade. Profissional multimídia, professor universitário nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Administração. Natural de Porto Alegre, radicado em Blumenau desde 1983, mudou-se para Florianópolis em 2019.