Coluna Ana Lavratti: Na nossa versão humanizada, a gente via além da tela

11 de Novembro de 2019

RD Summit 2019: percebendo ou não, somos todos discípulos do algoritmo

Interações divertidas na Feira de Negócios do RD Summit

 

Na semana passada, explorei aqui na Coluna como a imagem que criamos nas redes sociais precede a nossa chegada. Como se já nos conhecessem, julgassem e catalogassem antes mesmo do primeiro olhar. Desde então, curiosa, mergulhei no tema em mais três ocasiões: na aula de Personal Branding na formação Sebrae Delas, nas aulas coletivas com a Agência Mito e na trilha mais humanizada do RD Summit. E quer saber o que aprendi? As provocações que trago aqui:

 

A diferença entre quem eu sou e quem um dia sonho em ser

reside na minha rotina: o que, hoje, vou fazer?

E o que eu faço, de quem eu sou?

Imito o que publicam, sem rumo nas redes sociais?

Brincando de ser igual. Digitando sem digital.

 

Minha história é um ativo

e só pode ser contada com a alma consignada!

Não cabe metades, só verdades. E isso explica tendências...

Podem copiar minha estratégia, mas jamais a experiência.

Por isso o storytelling dá vez ao storydoing.

 

Por isso o vídeo caseiro venceu a “citação”.

No rolo da timeline, quem faz o dedo frear?

O vídeo imune às fraudes, ao copiar e o colar!  É conteúdo exclusivo.

Já que enfim nos convencemos que contar pode envolver,

mas quem conta o que viveu, esse sim vai comover.

 

Resgatar a atenção – hoje dispersa e pulverizada -, antes demanda uma mudança.

Talvez o resgate da criança. Nossa versão humanizada.

Aquela que via além da tela...

Que sem esforço reconhecia códigos básicos de empatia.

O que dizem sem dizer, pela calma ou falta de ar.

 

Conversar pressupõe paciência. Falar e escutar. Falar e esperar.

Apesar do chatbot, da companhia da Alexa,

diálogo não é ponto. Deve dar margem pra réplica.

Como ser resumido pra caber em uma métrica?

Isso é como ser benquisto em um uma bolha do consenso.

 

 

Mas é este o nosso tempo:

de um lado armadilhas atrás das mensagens;

do outro retórica sem ação, num jogo de imitação.

Por isso me despeço com uma provocação:

 

Se a média de “consulta” à timeline do Instagram é de 90 metros de rolagem por dia.

Se nunca nos sentimos tão sozinhos, numa epidemia de narcisismo com danos reais e globais, a ponto de esconderem os Likes do Instagram e projetarem o mesmo pro Facebook.  

Se a conexão em tempo integral vem incidindo em esgotamento profissional, com a Síndrome de Burnout, pela extrema exaustão, figurando na lista de doenças mundiais a partir de 2022.

Se numa peregrinação paralela à Lei de Proteção de Dados, pregam que eu vasculhe o outro para entregar a mensagem certa, na hora certa, pra pessoa certa.

Com a avidez por dados direcionada à segmentação e customização (Hero / Hub / Help), dando a impressão de que me abordam sem uma segunda intenção.

então o Algoritmo faz de mim seu discípulo.

Impacta nos meus desejos, minhas escolhas, nos vínculos que estabeleço,

sempre com aquela aura de não ter nada a ver com isso. E aqui reside o risco!

 

Clique nas fotos da Galeria para ver os bastidores do RD Summit 2019, onde apesar de todo o aprendizado sobre Transformação Digital, não nos deixam esquecer que nada supera a vida real.

 

 

RD Summit 2019
Interações divertidas na Feira de Negócios do RD Summit

Ana Lavratti

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    Ana Lavratti é Jornalista e Mestra pela UFSC com pesquisa sobre a Notícia em Meio Digital Online. Multiplataforma, acumula experiência em mídia impressa, eletrônica e assessoria de comunicação. Também é escritora, autora de 3 livros e 3 e-books, e atua como colunista social desde 2014. www.analavratti.com.br / social@analavratti.com.br Curta o Instagram @analavratti